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Prevenção e tratamento da zika - Tire suas dúvidas sobre transmissão

O zika vírus é transmitido por um inimigo bem conhecido do brasileiro, o mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue, mas as dúvidas sobre a nova doença ainda são muitas. 

Quase sempre silenciosa (80% das pessoas não apresentam sintomas), a zika já foi, no entanto, relacionada a várias mortes no Brasil.

Mas os principais riscos são para bebês em gestação: o Ministério da Saúde confirmou a ligação entre zika e microcefalia. Os registros da malformação — bebês nascem com crânio menor que o normal — saltaram de 147 em 2014 para 1.248 até 30 de novembro deste ano no país, que não conhecia o zika vírus antes de 2014. Mas a virose também pode causar uma doença neurológica grave que, se não tratada, leva à morte.


O Jornal EXTRA ouviu diversos especialistas para tirar dúvidas sobre transmissão, prevenção e tratamento da doença, que já foi detectada em 18 estados do país, inclusive no Rio de Janeiro.

Perguntas e respostas

1 - O que é a zika?
É uma doença viral transmitida principalmente por mosquitos, como Aedes aegypti.

2 - Quais os sintomas?
Manchas vermelhas, coceira na pele, febre alta, dor nas articulações, dor muscular e dor de cabeça.

3 - Há outras formas de contaminação?
O vírus pode ser encontrado no sêmen, leite materno e sangue, mas não há certeza se a transmissão da doença pode ser feita por essas vias.

4 - Quanto tempo depois de ser picado, surgem os sintomas da zika?
O período de incubação é de uma semana a dez dias.

5 - Quanto tempo dura a doença?
De três a sete dias, período em geral menor do que o da dengue e da chikungunya.

6 - O que fazer caso apareçam os sintomas?
Procure o serviço de saúde mais próximo para receber orientações médicas.

7 - É possível ter zika e não ter sintomas?
Sim, em 80% dos casos a doença é assintomática.

8 - Como se prevenir?
Não existe vacina contra o vírus da zika. As medidas de prevenção são semelhantes às da dengue e da chikungunya: evitar contato com mosquito transmissor e eliminar focos de água parada, locais de reprodução do Aedes.

9 - Usar roupas que cobrem o corpo funciona?
Sim. Roupas - blusas de mangas compridas e calças - minimizam a exposição da pele durante o dia, quando os mosquitos são mais ativos.

10 - Usar repelente adianta?
Sim. O repelente forma uma nuvem de 4cm de distância do corpo e liga-se a uma proteína da antena do mosquito, fazendo com que ele fique perdido e não se aproxime.

11 - Como o repelente deve ser passado?
Além de passar na pele, é importante passar spray sobre a roupa também, já que o mosquito pode passar por baixo da roupa ou picar através do tecido. Se usar filtro solar, maquiagem ou hidratante, passe o repelente por cima.

12 - Gestantes podem usar repelente?
Mulheres grávidas que não são alérgicas devem usar. Alguns médicos recomendam o uso de repelentes com a substância IR3535, pois outras substâncias não são recomendadas.

13 - Como identificar o mosquito?
O Aedes Aegypit tem entre 5mm e 7mm, barriga listrada com manchas brancas, e patas com listras brancas mais visíveis nas articulações. Costuma voar baixo, não atingindo mais de dois metros, mas é capaz de chegar a andares altos de um prédio com a ajuda de correntes de ar.

14 - Quais os hábitos do Aedes?
O mosquito tem hábitos mais diurnos que noturnos, mas também pode picar à noite. Só se reproduz em água parada e prefere o calor.

15 - Que medidas tomar em casa para evitar a presença do Aedes?
Não deixe água parada, dentro de casa ou no quintal. Pneus, tijolos, garrafas e outros objetos que acumulam água devem ser mantidos em lugares cobertos. Telas e mosquiteiros são boas medidas de proteção, pois afastam o mosquito. O ar condicionado inibe o mosquito, mas não o mata, nem impede sua picada.

16 - Quem pegou zika uma vez pode pegar de novo?
Não. Diferentemente da dengue (que tem quatro sorotipos), o zika só tem um. Após a infecção, o organismo cria imunidade contra a ele.

17 - Quem já teve dengue ou chikungunya pode pegar zika?
Sim. São vírus diferentes. Apenas a forma de transmissão é igual.

18 - Qual o tratamento para a zika?
Não há tratamento para a doença, apenas dos sintomas, como usar analgésico e antitérmico que não sejam à base de ácido acetilsalicílico (AAS) e beber muito líquido, para se hidratar.


19 - Que exame detecta o zika vírus?
O teste para verificar a infecção pelo vírus da dengue, zika ou chikungunya é o RNA PCR. Ele detecta a presença do RNA (ácido ribonucleico, responsável pela síntese de proteínas da célula) do vírus no paciente. Sua eficácia, no caso da zika é só até o 10º dia.

20 - Qual a relação entre a zika e a microcefalia?
O Ministério da Saúde confirmou que há ligação entre o vírus e a microcefalia, após pesquisa que identificou o vírus em um recém-nascido que morreu no Ceará. Mas ainda não se sabe como o zika vírus causa a microcefalia.

21 - O que é microcefalia?
Situação rara em que o bebê nasce com o crânio pequeno (perímetro cefálico de até 32 cm). A ocorrência não leva à morte, mas traz consequências até a fase adulta e está associada a atraso no desenvolvimento neurológico, podendo levar a um déficit visual, motor e cognitivo.

22 - A zika é a única responsável por microcefalia?
Não. A rubéola, a toxoplasmose, o uso de drogas pela gestante são alguns dos outros fatores que também causam o problema.

23 - Mulheres que pegaram zika e se recuperaram antes da gravidez podem transmitir o vírus para o bebê?
Não. A transmissão ocorre apenas quando a mãe contrai o vírus durante a gestação.

24 - Em que período da gravidez a zika pode causar microcefalia?
Nos primeiros três meses de gestação.

25 - É possível detectar a microcefalia no pré-natal?
Sim, pela ultrassonografia. Já a punção para detectar a presença do zika vírus no líquido amniótico só deve ser feita em casos especiais, por indicação médica, pois pode levar à morte do bebê.

26 - Como o bebê é contaminado pelo zika?
O vírus circula no sangue da mãe e chega ao feto pela placenta.

27 - Mães que pegam zika depois do segundo trimestre ainda têm risco de passar o vírus?
Sim, em qualquer fase de gestação o vírus pode passar. Mas, após o primeiro trimestre, não há chance de provocar microcefalia.

28 - Em crianças mais velhas, a zika pode evoluir para microcefalia?
Não. Isso só acontece com bebês durante a gestação, em fase de formação do cérebro.

29 - A zika causa alguma sequela neurológica?
Não. Apenas se a zika evoluir para a Síndrome de Guilllain-Barré.

30 - O que é a síndrome de Guillain-Barré?
É uma doença autoimune provocada por infecções virais ou bacterianas. Mesmo assim, em muitos casos as sequelas são reversíveis se tratadas logo. Nessa síndrome, há perda de força muscular nas pernas e nos braços. Pode chegar ao aparelho respiratório e levar à morte.

31 - A zika pode levar à morte?
No mundo, há apenas duas mortes ligadas ao zika vírus em pessoas que não desenvolveram síndrome de Guilllain-Barré.

32 - Após a infecção pelo zika vírus, quanto tempo leva para surgirem os sintomas da Guillain-Barré?
De dez dias a duas semanas depois de ter zika, quando já está recuperado do vírus.

33 - A Guillain-Barré deixa sequelas?
Se não for tratada a tempo, pode deixar dificuldades de locomoção e alterar a fala.

34 - Quando surgiu a zika?
Foi primeiro identificada em 1947 em macacos, na floresta Zika, na Uganda, África. Vinte anos depois, foi detectada em seres humanos na Nigéria, chegando ao Brasil no ano passado, provavelmente com a Copa do Mundo.

35 - Essas doenças (zika, dengue e chikungunya) existem em outros países?
Sim, mas é a primeira vez que elas existem ao mesmo tempo e na mesma região.


Fontes: Jornal Extra - Paulo César Guimarães, infectologista e diretor da Faculdade de Medicina de Petrópolis; Camila Almeida, infectologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo; Marco Collovati, presidente do laboratório de diagnóstico OrangeLife; Edmilson Migowski, infectologista da UFRJ, Helio Magarinos Torres Filho, patologista clínico e diretor médico do Richet Medicina e Diagnóstico; Fiocruz; Secretaria Estadual de Saúde e Ministério da Saúde

Dengue - fatos curiosos que você (provavelmente) não sabia

Dengue - fatos curiosos que você (provavelmente) não sabia
Dengue - fatos curiosos que você (provavelmente) não sabia

A dengue é uma das doenças mais conhecidas e desafiadoras não só do Brasil, mas de todo o mundo. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca 390 milhões de pessoas são infectadas todos os anos em mais de cem países. No entanto, há muitas curiosidades sobre essa virose que a maioria das pessoas não conhece. 

Separamos dez delas para contar para você.


1. Há muitas teorias sobre a origem do termo “dengue”, mas a mais conhecida diz que a palavra tem origem espanhola e significa “melindre” ou “manha”. Outra versão diz que a expressão vem de países árabes, com o sentido de “fraqueza”. Há também os que garantem que a palavra surgiu da expressão “ki dengu pepo”, da língua suáli, idioma oficial do Quênia e de outros países africanos.

2. Já o nome “Aedes aegypti” é originário, como o nome dá a entender, do Egito. O mosquito saiu do continente africano em direção às Américas e, mais tarde, alcançou países da costa oeste africana. O mosquito foi identificado cientificamente em 1762, quando foi chamado de Culex aegypti, ou seja, mosquito egípcio.

3. Inicialmente, achava-se que a dengue era uma doença exclusiva de países tropicais, devido ao fato de o Aedes aegypti, mosquito transmissor da virose, se reproduzir com mais facilidade em locais com altos índices de chuva e clima quente. No entanto, estudos recentes já comprovaram que o vetor da dengue também já consegue se reproduzir em países europeu, devido as transformações ambientais que o país vive.

4. O Aedes aegypti não consegue voar em alturas mais altas do que 1,5 metros e também não é capaz de fazer voos mais longos que cerca de 200 metros. No entanto, isso não significa que ele não alcance andares mais altos de prédios ou se deslocar para outros bairros ou cidades. Por incrível que pareça, o mosquito pode se locomover “pegando carona” em um ônibus ou carro e até mesmo subir em um elevador. Ele costuma procurar lugares mais escuros para ficar e, por isso, se esconde muitas vezes em quinas, inclusive de meios de transporte.

5. Existem quatro sorotipos do vírus da dengue conhecidos por cientistas. Aqui no Brasil, o tipo 4 tem feito mais vítimas, pois a taxa de pessoas imunes a ele ainda é pequena, por ser novidade. Há registros de que o tipo 5 do vírus da dengue já foi identificado em alguns locais, mas nenhum trabalho científico ainda foi publicado sobre isso.


6. Se engana quem pensa que apenas esvaziar recipientes com água já elimina qualquer chance de existência de criadouros do mosquito. As larvas do Aedes aegypti conseguem sobreviver por até três meses sem contato com a água. Portanto, além de esvaziar, é preciso limpar os recipientes. De preferência com uma bucha, água e sabão. Dessa forma, você elimina os ovos que se prendem nas superfícies dos recipientes.

7. Apesar de conseguir picar outros animais, o Aedes aegypti só transmite o vírus da dengue para humanos. Por isso, não se preocupe: seu cachorro não vai ter dengue se for picado pelo Aedes. O seu gato também não.

8. Tanto os machos quanto as fêmeas do Aedes aegypti se alimentam de substâncias que contém açúcar, 
como o néctar das flores. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, os mosquitos usam o sangue como fonte exclusiva de alimento. Somente as fêmeas picam, pois precisam do sangue para produzir ovos. No entanto, o mesmo mosquito é capaz de picar mais de uma pessoa para produzir um único lote de ovos.

9. Por ser um mosquito pequeno, com cerca de 0,5 cm de comprimento, o Aedes aegypti é um mosquito difícil de ser identificado. O momento mais fácil de capturar um deles é logo depois que ele acabou de picar seres humanos. A quantidade de sangue ingerido pelo mosquito faz com que ele voe mais lentamente.

10. Muitas pessoas tem ou já tiveram dengue e não fazem ideia. Em cerca de 30% dos casos, ela é uma doença assintomática, ou seja, não apresenta sintoma nenhum. Essas pessoas só conseguem descobrir que já tiveram dengue quando são infectadas pela segunda vez e desenvolvem uma versão mais clássica da doença.


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